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Conselho Universitário aprova concessão de título de Doutor Honoris Causa a Gilberto Gil e a Cláudia Andujar
Título é concedido a personalidades que tenham contribuído para o progresso das ciências, das letras ou das artes; beneficiado de forma excepcional a humanidade ou o País; ou prestado relevantes serviços à Universidade
Por : Adriana Cruz - 26/08/2026


A reunião foi realizada no dia 25 de agosto, no prédio da Reitoria – Foto: Adriana Cruz


O Conselho Universitário aprovou, em reunião realizada no dia 25 de agosto, a outorga do título de Doutor Honoris Causa ao cantor, compositor e músico Gilberto Gil e à fotógrafa, artista e ativista Cláudia Andujar. 

A proposta de concessão do título a Gilberto Gil foi apresentada pela Escola de Comunicações e Artes (ECA), por meio do Departamento de Cinema, Rádio e Televisão, que destacou que o cantor “é uma das maiores personalidades da cultura nacional dos séculos 20 e 21”. 

Já a proposta de outorga da honraria a Cláudia Andujar foi apresentada pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) e pelo Museu de Arte Contemporânea (MAC) em reconhecimento “à inestimável contribuição da homenageada às artes e aos direitos humanos, em particular sua incansável defesa dos povos indígenas no Brasil”.

O título de Doutor Honoris Causa é uma honraria concedida pela USP a personalidades que tenham contribuído para o progresso das ciências, das letras ou das artes; que tenham beneficiado de forma excepcional a humanidade ou o País; ou que tenham prestado relevantes serviços à Universidade. Desde a sua criação, há mais de 92 anos, a Universidade concedeu 125 títulos de Doutor Honoris Causa. O mais recente foi outorgado ao jornalista Vladimir Herzog, em fevereiro deste ano.

“A concessão dos títulos a Gilberto Gil e Cláudia Andujar representa o reconhecimento da USP de trajetórias que ultrapassam os limites de suas respectivas linguagens e se confundem com a própria história cultural e social do Brasil. São artistas que fizeram de suas obras uma forma de compreender o País, ampliar horizontes e afirmar a importância da liberdade, da diversidade e da dignidade humana por meio da música e da fotografia. Para a USP, homenagear Gilberto Gil e Cláudia Andujar significa reconhecer que a produção de conhecimento não se limita aos espaços acadêmicos”, destacou o reitor da USP, Aluisio Segurado.

Os homenageados

O cantor e compositor Gilberto Gil – Foto: Bruno Figueiredo/Wikimedia Commons

Gilberto Gil nasceu em Salvador, na Bahia, em 26 de junho de 1942. Começou a carreira musical ainda criança, tocando acordeão, influenciado por Luiz Gonzaga e pela música nordestina. Mais tarde, aproximou-se da bossa nova e adotou o violão e a guitarra como instrumentos centrais de sua obra.

Em 1963, conheceu Caetano Veloso e, juntos, participaram da criação do Tropicalismo, movimento que, no final dos anos 1960, combinou música brasileira, rock, cultura popular e vanguardas artísticas. Em 1969, depois de serem presos pela ditadura militar, Gil e Caetano partiram para o exílio em Londres.

De volta ao Brasil em 1972, Gil construiu uma das carreiras mais importantes e influentes da música popular brasileira e reforçou seu papel de resistência à ditadura com canções antológicas, tais como Cálice, em parceria com Chico Buarque, que fala sobre o silenciamento da censura e sobre a violência das prisões e da tortura. Em 1973, fez uma apresentação histórica no Biênio da Escola Politécnica (Poli) da USP para um público de mais de mil pessoas, que se tornou um dos mais importantes marcos da luta artística subterrânea.

Também teve uma importante atuação na vida pública. Foi ministro da Cultura entre 2003 e 2008, período no qual promoveu uma transformação estrutural e conceitual das políticas culturais brasileiras.

Em 2006, na USP, Gil participou do lançamento do projeto do edifício da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (BBM) e da nova sede do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB), concebido para abrigar, além da preservação, um ousado projeto de digitalização de acervos, contribuindo para a democratização da memória do País. Em 2021, foi eleito para a Academia Brasileira de Letras, ocupando a cadeira nº 20.

A fotógrafa Cláudia Andujar – Foto: Fernando Frazão/Wikimedia Commons

Cláudia Andujar nasceu em 12 de junho de 1931, em Neuchâtel, na Suíça, filha de mãe suíça e pai judeu de origem húngara. Durante a Segunda Guerra Mundial, seu pai e outros familiares foram mortos nos campos de concentração de Auschwitz e Dachau. Em 1944, fugiu com a mãe para a Suíça e, posteriormente, mudou-se para os Estados Unidos.

Em 1955, chegou ao Brasil para reencontrar a mãe e decidiu permanecer no país. Em São Paulo, começou a trabalhar com fotografia. Nas décadas de 1950 e 1960, percorreu diversas regiões e trabalhou para revistas brasileiras e estrangeiras, como Life e Realidade.

Foi trabalhando para a revista Realidade, em uma edição especial sobre a Amazônia publicada em 1971, que Cláudia teve seu primeiro contato com os Yanomami. Esse encontro transformaria sua vida e sua obra. A partir daí, passou a retornar inúmeras vezes à região, produzindo fotografia que combinava documentação, experimentação artística e uma profunda aproximação com a cosmologia e o cotidiano daquele povo.

Cláudia tornou-se uma das principais defensoras dos direitos dos Yanomami e participou ativamente da luta pela proteção de seu território, trabalhando pela demarcação das terras indígenas, conquistada em 1992, com a criação da Terra Indígena Yanomami.

A trajetória cosmopolita de Cláudia se entrelaça com a USP e com a vida acadêmica em diversos momentos. Em 1970, a convite de Walter Zanini, então diretor do MAC, e ao lado de Maureen Bisilliat, entre outros fotógrafos e críticos, fez parte da Comissão de Fotografia do museu, que, em 1971, tomou a iniciativa da exposição 9 fotógrafos de São Paulo, que constituiu o embrião do acervo de fotografia do MAC, incluindo suas obras. No final de 1972, participou da organização da exposição O fotógrafo desconhecido.

Em outubro de 2024, as fotografias de Cláudia foram expostas no Centro MariAntonia da USP como parte da exposição Trajetórias Cruzadas, que contou também com trabalhos de Lux Vidal e Maureen Bisilliat.

 

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